Saturday, January 16, 2010

Mais chuva e frio, desistencia e salvaçao da viagem

Deixando Bariloche seguimos pelo Ruta 40 ate El Bolson. Um pouco depois saimos por uma estrada de chao terrivel ate o Parque Nacional Los Alerces. Foi um dia sofrido, mas valeu a pena: terminou com um banho no lago Rivadavia, rodeado por montanhas com neve. No dia seguinte atravessamos a estrada que corta o parque e vimos lindas paisagens. Chegamos em Trevelin numa noite bem fria e seca, em que a temperatura deve ter chegado perto de zero grau.
 
Vendo tudo em retrospecto parecia que a viagem terminava ali. Comecamos nova pedalada atraves dos Andes, desta vez pelo Paso Futaleufu. Ate a fronteira era tudo estrada de chao. Na aduana argentina nos informaram que a aduana chilena estava parada por um motivo desconhecido. Pensamos em passar reto pela aduana, na esperanca de que fossemos ignorados pelo fiscais, mas o plano nao deu certo. Eles tambem nao disseram porque estavam parados, mas logo depois vimos em edital que havia uma greve de aduaneiros. Junto a algumas outras pessoas, e sem condicoes de seguir por outro caminho, fomos forcados a esperar. Eram 12 h. Comemos e dormimos em nossos sacos de dormir, sobre uma mesa de frente aos fiscais. As 16 h, talvez por pena de nos, os fiscais resolveram nos conceder o visto e permitir que seguissemos. Terminamos o dia em Futaleufu por uma estrada de asfalto, lamentado as horas perdidas que poderiam comprometer nosso calendario, pois deveriamos chegar em Puerto Ramirez naquele dia.
 
Em Futaleufu o unico caixa eletronico nao aceitava Visa, impossibilitando que qualquer um de nos sacasse pesos chilenos, pois nem meu cartao HSBC nem o Cash Passport do Gustavo e do Aramis serviam. E no unico lugar que se fazia cambio nao havia plata! (Tinhamos muitos pesos argentinos, ou seja, eram nossa esperanca.)
 
Fomos forcados a seguir um dia depois com pouco dinheiro e paramos sob garoa em Villa Vanguardia, uma localidade com umas 6 ou 7 casas e nenhum estabelecimento comercial. Fizemos um camping selvagem (no meio do mato) numa area coberta de bosta de vaca. O Gustavo conseguiu pisar numa bosta com seu tenis aberto em baixo, e sujou ate a meia...
 
Durante a noite nao parou de chover um minuto e, ao amanhecer, esperamos ela dar uma tregua para conseguirmos desmontar tudo e partir. Ja estavamos na Carretera Austral, e continuamos pelo terreno ruim sob chuva leve, mas que pelo frio nos obrigava a usar o anoraque. Este, por sua vez, fazia-nos suar e ficar molhados por dentro, mas ainda assim era melhor que ficar molhado pela agua gelada da chuva.
 
Ja estavamos com bastante azar, mas o pior estava por vir. Nossa esperanca era chegar em La Junta, primeira cidade "maiorzinha" depois de Futaleufu, e sacar dinheiro. Descobririamos que nao havia caixa eletronico ali, estando o proximo a 260 km, em Coyhaique. Depois de ter pedalado apenas 50 km tivemos que esperar ali mesmo, pois disseram-nos que um argentino que trabalhava no mercado fazia cambio, mas chegaria apenas as 16 h. Sem alternativa assim fizemos, e trocamos tudo o que tinhamos de pesos argentinos por pesos chilenos. Assim ficamos numa pousada e atrasamos um pouco mais nosso calendario.
 
Para piorar soubemos que naquela regiao chovia havia 30 dias, um fenomeno incomum no verao, e a previsao era de chuva para os proximos 5 dias, pelo menos. A manha seguinte (sabado) comecou com chuva. Nao dispostos a ficar mais um dia molhados e sem bater fotos decidimos ficar na pousada mais um dia e procurar um onibus, abrindo mao de conhecer o Ventisquero Colgante. Tivemos que esperar ate de tarde e descobrimos que so haveria onibus na segunda de manha. Mais uma vez com poucas alternativas resolvemos aceitar. Perdemos mais um dia. Mas segunda de manha, ja preparados para partir, apareceu uma van para nos pegar, ao contrario do que dissera o pessoal da empresa de onibus, ou seja, que viria um onibus grande e que as tres bicicletas iriam deitadas. Mal cabia uma bicicleta desmontada!
 
Com vontade de bater nos responsaveis fomos ate a empresa reaver o dinheiro das passagens. Ja era segunda-feira e perderiamos ainda mais um dia. Naquela tarde, enquanto procuravamos carona, tivemos a sorte de encontrar uma outra empresa que estivera fechada o dia todo mas abrira por alguns instantes. A mulher nos ofereceu um frete de 72000 pesos (aprox. 240 reais) para levar as 3 bicicletas. Nao tinhamos dinheiro, mas ela permitiu que pagassemos quando chegassemos em Coyhaique.
 
Chegamos em Coyhaique determinados a desistir da viagem, pois teriamos que abrir mao de um ou mais atrativos para cumprir o calendario, que ainda assim ficaria muito apertado por causa dos dias perdidos. Como ja tinhamos perdido varias coisas por causa da chuva concluimos ser mais sensato completar o trajeto em outra data e conhecer tudo. O Gustavo quis continuar. Entao a equipe se separou.
 
Saimos eu e o Aramis um dia depois (quarta-feira) para Osorno. La pegariamos um onibus para Santiago, mas pouco antes de chegarmos a rodoviaria surgiu a ideia de aproveitar o tempo restante de ferias e conhecer alguns pontos que nao tivermos a oportunidade de ver, ou pela pressa ou pela chuva. Ontem vimos o vulcao Villarrica e fomos ate a estacao de ski. Foi uma subida ardua de 17 km e uma ascencao de aproximadamente 1200 m em 2h 30min. O esforco rendeu belas fotos e novo encontro com a neve, alem de uma descida emocionante (e dificil nos 9 km de estrada de chao) no inicio da noite.
 
A viagem parece salva. Hoje o tempo nao esta bom em Pucon mas ja vimos o que queriamos. Planejaremos os proximos dias agora. Pretendemos visitar o Radal Siete Tazas e conhecer algumas praias do Pacifico, como Vina del Mar e Valparaiso.

1 comments:

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